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		<title>Políticas de urbanização estão desfasadas da realidade do país</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 20:13:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Todas as políticas habitacionais implementadas em Moçambique são baseadas em realidades europeias, o que dificulta a sua implementação e cumprimento, bem como propicia a existência de assentamentos informais. A informação foi avançada nesta segunda-feira, em Maputo, durante o lançamento da metodologia para gerar dados urbanos comparáveis. As construções desordenadas, aliadas à precariedade das habilitações, constituem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Todas as políticas habitacionais implementadas em Moçambique são baseadas em realidades europeias, o que dificulta a sua implementação e cumprimento, bem como propicia a existência de assentamentos informais. A informação foi avançada nesta segunda-feira, em Maputo, durante o lançamento da metodologia para gerar dados urbanos comparáveis.</p>
<p>As construções desordenadas, aliadas à precariedade das habilitações, constituem um desafio antigo e conhecido em Moçambique, uma das causas por trás das inundações urbanas.</p>
<p>Diante de uma plateia composta por membros do Governo e especialistas em ordenamento territorial, ficou evidente que os assentamentos informais surgem devido à inadequação das políticas e ineficiência das instituições responsáveis.</p>
<p>“Nós não temos nenhum instrumento, vamos dizer, que tenha sido criado ou concebido de base. O que nós fazemos quer seja um plano estrutural, um plano director ou o que quer que seja, é tudo um sistema de importação. O arquitecto, urbanista, etc., a escala de leitura dele é o quarteirão, é a quadra, ponto final. A população não, a escala de leitura é a parcela ou o local onde ocupa a casa. A orientação é completamente diferente. A população, portanto, não vai fazer isso”, disse Teodoro Vales, do Ministério da Administração Estatal.</p>
<p>As autoridades locais são também apontadas como promotoras da desorganização habitacional.</p>
<p>“Eles precisam de investir ou porque há uma ocasião de negócio, precisam de construir habitações para venda, ou por uma outra razão. Então, se não tem à disposição, porque o município tem dificuldades ou porque não tem um instrumento já aprovado, ou porque não tem quadros suficientes para preparar a documentação necessária, eles vão para o terreno e vão construir para não perderem o negócio, para investir, etc. Assim como também aquele terceiro actor, a população, a construir a cidade, é porque o próprio processo de chegar-se próximo de um município, é um processo relativamente difícil”, concluiu.</p>
<p>Daí a necessidade de haver melhor coordenação entre as populações e os fazedores das políticas, conforme explicou Zeca Viagem, do Ministério da Administração Estatal.</p>
<p>”Temos algumas autarquias que não têm plano de estrutura, mas a classe empresarial identifica já uma área. Ele diz que aqui quer pôr uma empresa X e Y. O que o município faz?  Só vê o projecto, vê a viabilidade do ponto de vista económico. Quando o município espera fazer estudo de impacto ambiental, avaliação do impacto ambiental, mas o município não tem um instrumento orientador, neste caso, que pudesse lhe dar uma visão de que esta área é área industrial, ou habitacional, ou comercial, ou área agrícola. Daí as áreas são determinadas pelas indústrias.”</p>
<p>Os ministérios das Obras Públicas e Habitação e da Administração Estatal e Função Pública lançaram, nesta segunda-feira, uma plataforma de padronização de dados urbanos, para melhor alocação de recursos e serviços, apoiada pela UN-habitat.</p>
<p>“Ao adoptar a abordagem de DEGURBA, Moçambique está caminhando decisivamente para melhorar a qualidade e comparabilidade dos dados urbanos, a nível nacional, regional e internacional, apoiar o planeamento estratégico e territorial, baseado em evidência científica, reforçar a formulação, monitorização e avaliação de políticas públicas urbanas, promover uma descentralização mais eficaz ajustada às realidades territoriais concretas, melhorar a alocação de recursos públicos com base em evidências territoriais e reforçar a coordenação entre o nível central e local, entre outros benefícios”, disse Inocêncio Impissa, ministro da Administração Estatal e Função Pública.</p>
<p>O titular da pasta das Obras Públicas e Habitação vê, na iniciativa, a possibilidade de combater novos assentamentos informais.</p>
<p>“É urgente planear melhor, ocupar o território de forma mais informada e investir com base em conhecimento sólido, antecipando riscos e promovendo um desenvolvimento mais resiliente, inclusivo e equilibrado. É neste quadro que participamos com particular satisfação neste seminário de lançamento do projecto de DEGURBA”, declarou Fernando Rafael, durante a sua intervenção.</p>
<p>A metodologia harmonizada vai, segundo o Governo, permitir ao país planear melhor a urbanização, bem como definir melhor as prioridades de investimentos.</p>
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